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quarta-feira, 8 de março de 2017

Dia internacional da mulher, pela mulher

8/3/17

Hoje, nas rádios, há muitas homenagens às mulheres, com músicas cantadas e tocadas por elas.
Hoje, na televisão, há especiais com mulheres que são apresentadoras, atrizes, produtoras, fotógrafas, câmeras, maquiadoras, estilistas e assim por diante.
Hoje, nas empresas há parabéns, declarações de admiração, flores e faixas, talvez chocolates.
Hoje, nas casas as mulheres podem receber um parabéns, uma homenagem com a louça lavada, um almoço, flores, bombons...
HOJE, NAS RUAS, AS MULHERES CHAMAM PARA QUE ISSO NÃO SEJA UM ATO DE HIPOCRISIA. CHAMADA MUNDIAL.
Com uma gama tão grande de produção das mulheres, com qualidade em cultura, serviços e produtos, temos uma amostra do quanto sua obra é apagada, mulher.
Se você pensou que aquele médico mais capaz do hospital era um homem, se você pensou que um chefe de cozinha é melhor cozinheiro, se você faz piada com mulheres ao volante, sem contar as outras violências como salários inferiores, retirar a aposentadoria especial, assédio na rua, violência doméstica entre tantas violências que sofremos no dia a dia, séculos a fio, homenagens não bastam.
Agradeço pela amostra anual de nossa capacidade, sinto muito pelo motivo de que isso só faça parecer que não temos capacidade, visto que todas essas áreas valorizam a produção masculina acima das nossas, como se fosse um curativo, nos enganando, já que na verdade é rica e maravilhosa a nossa contribuição à sociedade.
Não retirem nossos direitos adquiridos, melhorem os direitos que não são garantidos, deem-nos descontos em livros de todas as áreas, incluindo as que parecem ser dos homens, deixem-nos ter bolsos nas calças para não precisarmos usar bolsas, caso desejemos.
Aceitem nossos corpos como corpos, aceitem nossas existências com legitimidade.
Não acredite no discurso dominante que diz que já está muito bom do jeito que está, pois não está, estamos morrendo em partos desumanos, em abortos ilegais, em casa, pelas mãos de nossos companheiros, pais, irmãos, filhos, estamos sofrendo violências ao caminhar na rua, sem saber se chegaremos em casa inteiras ou vivas, ao pagar mais caro pelo mesmo produto feito "para a mulher".
Ainda não está bom, não está tudo bem, e não é por que no dia das mulheres você reflita, que seja o suficiente.
Obrigada por hoje, dedique-se nos outros dias, homens e mulheres, sobre nossas condições.

sábado, 24 de setembro de 2016

Hoje estou melhor que a cinco anos atrás, espero estar ainda melhor daqui a cinco anos

Eu sofri a vida toda com o meu analfabetismo funcional, mesmo sendo considerada por pessoas em meus meios de convivência uma pessoa inteligente. Sim, é um adjetivo muito usado para mim e que eu não entendia, pois era algo natural, mas que não condizia com muita coisa do que eu entendia como reflexo de inteligência. Eu não tinha coragem de pensar por mim mesma, fui ensinada a pensar através de referências e minha fala só pode ser aceita se for embasada em alguém que foi aceito previamente. Eis a minha realidade, atrelada a condição de mulher vítima de abusos e com diversos problemas para serem resolvidos, e que segundo a minha sociedade eu deveria superar pois “nada é tão mau que não tenha algo de bom, ou vice e versa”, tentei me convencer disso a vida toda, até aqui, agora eu ignoro, pois há coisas que são apenas manipulação e que nos servem para amansar, ou uma palavra que gosto muito e que ainda estou trabalhando seu conceito: docilizar.
Fui docilizada como mulher, fui docilizada como filha, fui docilizada como estudante do ensino fundamental e médio, porém, mesmo que pela força da cultura que me permeia eu tenha sido docilizada, também tive oportunidades que muitas pessoas me trouxeram, como a Professora Hilda e a Professora Solange, minha amada Madrinha Maria e amigos diversos que não vou citar para resguardá-los.
Eu tive acesso a leitura através de biblioteca, eu tive acesso a faculdade através do FIES, graças a minha inteligência e docilidade eu pude seguir alguns caminhos com um sofrimento que foi amainado e escondido e que explodiu na minha maior estabilidade da vida: carreira e casamento encaminhados, hobbies e retomadas de dons, tudo parecia perfeito, mas os abusos continuavam e eu estava mudada, eu começava a reconhecer, eu passei a pesquisar, começou a surgir informação de fácil acesso, eu me desconstruí, entendi que uma mulher não é obrigada a nada, por ser mulher. Entendi que eu não tinha culpa nas culpas que pregavam em minha cruz, até perceber que não preciso estar na cruz. Isso é bem atual. Ainda estou com muitos estigmas, mas ... por Cristo, hei se superá-lo e sem repetição de estratégia de manipulação de massa que me faça docilizar, farei por consciência e força própria.
Aprender a me comunicar foi extremamente importante, pois mesmo formada em Letras, como escritora, voltando a desenhar e me envolver em meios diversos de comunicação, o ato de me comunicar com o outro de maneira além da unilateral passou a acontecer quando exigi que me escutassem, e eu exigi que eu me escutasse.
Primeiramente gostaria de dizer que estou muito melhor, aprendi que meios de denuncia devem ser respeitados e que a minha linha do tempo do Facebook não mudará em nada a vida de outra pessoa com compartilhamento de ódio e violência, mesmo que tenha intenção de denúncia. Peço desculpas a todos por, itens compartilhados e posts assim. Ver animais sendo arremessados ao rio ainda em fase de amamentação, esfolados, agredidos e etc, isso tudo me maltratava muito, e eu fui obrigada a ver até saber que eu podia selecionar e deixar de seguir pessoas que não sabem lidar com esse tipo de informação, que serve para distrair, dando pão e circo para o povo.
Depois passei a bloquear as pessoas que lidavam mal com minhas publicações de empoderamento feminino, mesmo que fosse meio agressivas, visto que eu precisava ainda superar a fase da revolta. Isso foi muito importante, e não me afastou das pessoas que bloqueei, pois a amizade não tinha nada a ver com uma má interpretação e por estas pessoas estarem tão acostumadas ao discurso de ódio que nem mesmo pensavam antes de reagir e transmitir uma ideia formada por outras pessoas.
Agora estou em nova fase de desconstrução, estou mais feliz comigo e com a minha nova capacidade de ver o mundo, tenho muito a mudar, mas isso não me deixa infeliz, e sim me mostra um skethbook cheio de páginas em branco com possibilidades amplas e realizável, possível mesmo.
Quando conheço uma pessoa machista, violenta e que reproduz conhecimento de senso comum ou vai por este viés eu não sinto ódio, eu reflito e vejo o que posso fazer por elas, pois eu fui assim. Compartilho muita coisa sobre o feminismo ainda e vou continuar, não sou ativista quem dera, mas este ainda não é meu perfil, porém compartilhar informações e relatos para desenvolver identidade e dar maior acesso a novas pesquisas me faz sentir bem, pois pelo caminho do intermetes e da literatura pude me desacorrentar e sair da caverna, enxergar você na sua fase e semear o que eu tenho de bom na nossa amizade para fazer a diferença.
Daqui a cinco anos seremos um jardim diferente, eu terei muitas mudas, e não preciso me apegar a humildade forçada para fingir que não, pois eu me orgulho disso, eu me reconheço, eu acredito em mim, eu naõ me coloco mais em dúvida diante do discurso alheio. Eu ccheguei mais longe do que podia imaginar, me encaminho para o infinito e além.

Parem de compartilhar regras sociais que denigram a imagem da mulher, do negro/a e do homossexual/bissexual/trans, não compartilhem violência em vídeos ou fotos, se houver algo assim que vc possa denunciar, há órgãos responsáveis, instituições e ongs que farão melhor uso do material que o que a sua Time Line poderá fazer sozinha. Compartilhe informação e regras que sejam boas, não fale mal da menina que traiu o namorado e apanhou e morreu e foi estuprada, não fale mal do cara que é gordo e não consegue emagrecer, não faça piadas, não apoie a disseminação de violência naturalizada para que se perpetue.


PORNOGRAFIA é violência, menor de idade tem censura sim, menina nova não é mulher que “quer”, a minha roupa não te autoriza a me julgar, nem meu peso, nem nada. Reflita. Restrinja, bloqueie se necessário, mas não apoie manobra de manipulação de massa com sistema de ódio que não leva a nada, se precisa denunciar, faça direito. SE precisa informar, faça direito. Eu te apoio.

sábado, 30 de julho de 2016

Por Ford, na Educação não!

Laura Lucy Dias
30/7/2016



Há coisas que sabemos e há coisas que percebemos, de uma maneira interna, como um conhecimento novo adquirido e desenvolvido que pode nos transformar como pessoas e o que há em nossa volta. Bem, esse ano aconteceu mais uma vez comigo e posso dizer que estou bem chateada com a constatação que fiz: a educação se faz através de um sistema fordiano há anos e ainda se mantém assim.
Bem, para começar, o sistema de Ford é ligado à indústria, e se resume assim:

O objetivo principal deste sistema era reduzir ao máximo os custos de produção e assim            baratear o produto, podendo vender para o maior número possível de consumidores. Desta forma, dentro deste sistema de produção, uma esteira rolante conduzia a produto, no caso da Ford os automóveis, e cada funcionário executava uma pequena etapa. Logo, os funcionários não precisavam sair do seu local de trabalho, resultando numa maior velocidade de produção. Também não era necessária utilização de mão-de-obra muito capacitada, pois cada trabalhador executava apenas uma pequena tarefa dentro de sua etapa de produção.



Sendo assim, só nos falta mesmo inserir a esteira. Digamos que ela seja uma metáfora e que a sala de aula é um sistema de produção no qual cada pessoinha que se insere lá sairá um adulto com os sistemas e aplicativos mínimos necessários para que se desempenhe seus papéis sociais na nossa SOCIEDADE.
Me dei conta disso quando relacionei a nova maneira de lidar com o conteúdo e os tempos de meus alunos, o que deixa eles bastante diferentes e garante que no mínimo eu cumpra uma boa parte dos conteúdos com cada um, e se dá em gerenciar materiais diferentes para os grupos específicos de maneira que eles possam trabalhar em seus tempos os conteúdos que precisamos, como uma indústria, contemplar.


Neste contexto Huxelinano podemos inserir ainda os prazos que devem ser cumpridos: dos seis anos aos 18 de ensino básico e médio, e o que vem depois não é mais de responsabilidade da sociedade, mas ainda assim, se o aluno quiser colocar em si outros complementos para se tornar um modelo melhor para o público que atenderá, ele irá para uma esteira na educação técnica e superior, onde os parafusos serão colocados nele.
Bem, esse sistema é o que vejo em muitos lugares. Eu estudei neste sistema. Estudei em diversos momentos de minha vida, desde que me lembro e o faço ainda hoje, mesmo nos cursos tidos como criativos de desenho e artísticos, de redação e escrita criativa. Todos querem, esperam e acham que o tradicional é mais fácil, melhor e assim vai. Há muitos que ainda sustentam os castigos físicos e psicológicos como uma condição necessária para o desenvolvimento do aluno na educação, mas não aceita que eles façam, por exemplo, a manutenção do prédio da escola como parte dela.


Bem, já ouvi de outros sistemas educativos como a escola balcão, ou mesmo a maneira que o próprio Platão ensinava nas praças públicas da Grécia: a dialética. DIÁLOGO.
Educação, mesmo que pareça que saibamos que não deve ser assim, ainda é bancária e precária. Ela é um monólogo do professor para o aluno, nada mais. Tentar sair disso é uma condição hercúlea e difícil para nós, e eu, que posso me julgar uma professora que tenta em suas experiências diversas praticar formas de ensino que tragam uma postura de ator ao alunado, tenho dificuldades de entender e manter essa prática, visto o sistema Fordiano que temos que encarar, numa esteira na qual em 45 minutos, como especialista da área de Língua Portuguesa, devo construir conhecimentos preestabelecidos para os alunos diversificados que tenho em um número médio de 35 por turma. Tenho que colocar a cada aula parafusos de área específicas, que junto aos parafusos das outras áreas formarão um sistema que depois espera-se que vire um cidadão, ou algo próximo.
Agora me diga, você gostaria de dirigir este Ford depois de pronto?





sábado, 9 de janeiro de 2016

A incongruência

   Acreditar em mim é um processo árduo, não engane-se com o mesmo que "botar fé em mim", que é outro ponto a ser trabalhado... talvez mais simples do que eu acreditar de forma mais crua: a de por crédito em mim.
    Não não é a mesma coisa, eu já disse, sobre ter fé em mim, sem problemas, pois isso eu faço apesar das restrições que a especialização supera. Entende? Se eu tenho limite eu acredito que eu possa superá-lo por ser alguém capaz de  especializar-me com prática, análise, estudos, orientações, pesquisas etc.
    Porém quando precisa acreditar no que vejo, no que sei, no que percebo e na minha condição de indivíduo acima do comunitário e bem estar do outro...  até arde quando tento acreditar em mim ao invés de no outro que me diz que estou errada, mesmo que argumente muito bem e eu saiba que não estou entrando em um processo ardido, como o de miragem, e parece que minha cabeça se expande em uma dúvida eu devo retomar a verdade, que não é mais a minha, com muito cuidado para não ofender o outro caso seja só um disparate meu, e é nesse momento em que meu corpo para no tempo e espaço enquanto deixa de existir, carbonizado e sem ar até convencer-me de que eu estava errada mesmo. Isso traz uma leve depressão, e como eu posso duvidar de pessoas tão idôneas, que mal elas podem me causar? Ou melhor, porque desejariam tal coisa? Isso é muito estranho.
    Dessa maneira, geralmente tirou meu crédito de mim mesma e dou ao outro, minha realidade perde o sentido e quase me sinto grata por me ditarem a verdade, sinto-me mais segura com o ditador do que comigo mesma.
    Isso tudo acontece ainda hoje, mas eu evolui, meus ditadores têm precisado mudar as estratégias que já eram receitinhas fáceis e quando repetem a estratégia, instintivamente consigo perceber uma incongruência na miragem e é como se a miragem fosse um holograma alimentado pelo calor físico da culpa, da minha culpa. É nesse instante que o Dejavu da técnica vem esclarecido como um misticismo, uma visão de um homem em uma cena trivial de faroeste, prestes a pegar a arma no codre, mas... não há uma arma de verdade, é uma arma metafísica.

   Ver a incongruência tem se tornando possível devido ao fato de que passei a dar crédito a mim. Não é algo imediato, está mais perto da perturbação ou confusão religiosa de uma visão do desconhecido que de um insight da verdade. Eeu acordo e paro de fugir do ardor, e ainda assim não tenho me carbonizado, ou acabado carbonizada. Não cedo ao restante da miragem criada pelo  outro devido à incongruência. Hoje, a incongruência na miragem é a pista para me ajudar a mudar de rumo, do processo de seguir o ditador. Eu credito a mim o poder de ser eu e ter a minha realidade e o questiono, mesmo que internamente.
    A realidade de fato é a miragem, que é muito difícil de entender, para mim,  já que o ditador não me fala suas intenções, o que acontece aqui entra na minha cabeça e me causa uma crise de ansiedade e eu não a superava, por ser mais fácil carbonizava-me em análise, pesquisa, orientações e o que pudesse, num processo contrário ao da aceitação da miragem e aceitação da realidade que eu conheço. 
   Aceitar a realidade é viver sozinho em um deserto que se localiza onde havia um ditador numa sala escura e quente e agora há apenas um fascista diante de você. É solitário e tragicômico acreditar em mim, não tem sido como conhecer a verdade e sim, tem sido reconhecer manipulações maldosas de pessoas em quem confio e a quem me dedico, tem sido lidar com a vontade do outro que não é a minha e a desfrutar da difícil tarefa de não fazer as coisas pelo outro só porque não me custa, pois custa sim, é uma via de mão única com pregos no asfalto e sem saída, apenas um continuar a fazer sem parar parar de ser uma boa menina

domingo, 8 de março de 2015

Queria ser David Bowie!

Eu aproveitei q estou virando a noite de insonia para mudar meus pensamentos sobre Smurfs e escrever sobre um fato que me atinge pessoalmente e profissionalmente de todas as maneiras, ofendendo e castrando desde a criatividade instintiva até a expectativa mais coerente sobre o fato das expectativas educacionais e literárias de nossa linda terra que é o Brasil.
Primeiro falarei do título, que mostra a minha primeira opção antes de Jhon Malcovich de ser outra pessoa além de mim. Há uma lista enorme depois. Mas de fato sei que não há portais e titireiros, mesmo que jhons kussaks da vida, que possam me fazer desejar ser Zibia Gasparetto ou Paulo Coelho, literáriamente falando. Nem mesmo jhon Green, com todo seu dinheiro pra marketing que faz essas magicas que um dia aprenderei.
Que seja. Quero ser Poe, Machado, Cruz e Souza... quero ser eu. Quero ser reconhecida, mqs tem o jeito certo e o motivo certo, um deles não é por escrever esses tipos de "best sellers", mas sei que como os outros não poderei viver, não vende. É. Não vendo. Sou almíscar.
Estou feliz e aprendendo que um dia posso ter como um reconhecimento até mesmo um dia da toalha, mas não serei a top entre as dez. Há quem pense que vai. Pois que seja, esclareça-se que este meio não é acessível, e muito menos com poesia. Verdade. Mesmo hoje, vendi mais "alterada" que "peripécias".
Há quem queira ter seus direitos disputados por editoras internacionais, mas... prefiro ser cinquenta mil tons do que mr grey. Eu quero dinheiro assim também... mas já são dezessete anos na mesma trilha e se eu não fosse autosuficiente, nunca imprimiria uma cópia.
Aguardo o povo me xingar e explicar o motivo de poesia nao vender e ainda ser o gênero mais produzido pelos aspirantes, e depois me dar a solução. Bjks.
Corrijo depois.