Mostrando postagens com marcador poemas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poemas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Soneto fora de forma

13/6/17

Me disseram que estou meio fora de forma.
Assustei-me, será que não dava para me enxergar?
Ponderei e percebi que na verdade há uma fôrma
A qual todos devem se enquadrar.

Ufa, existo, por fim! Apenas não sou aceita
Pelo olhar alienado desta maldosa seita
Que corta, aperta, estica e de tudo inventa
Para dizer que você não é perfeita.

Ufa de novo, pois só é perfeito o pronto,
Já acabado, sem possibilidades de mudar. 
Para mim é você um bicho tonto

Se quer acabar com a sua vida para caber
Onde querem te encaixotar.
Para mim o mundo é o limite, quero sim é viver!

Sinto-me adequada, saudável, possível
E imensamente, satisfatoriamente humana.
Tenho forma gorda, forma perfeitamente viável
Daquela que vive e à vida ama.

Você sempre tenta cortar-me para encaixar
Em uma medida exata e estreita de aceitar.
Não sou pé de lótus, não quero espartilho,
De todas as tuas amarras do que posso me desvencilho.

Flutuo com meu corpanzão nas possibilidades de ser
Sem aparar minha capacidade de ser pela balança,
Por que queres não me porei a tristemente padecer

Sendo que às estrelas minh'alma alcança
Enquanto minha cabeça é a única presença
Sobre meu corpo, foco da tua doença.


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Pedagogia do medo 30/1/2017

Somos criados à base de imperativos:
Sente-se!Somos criados à base de imperativos:
Sente-se!
Levante-se!
Cale-se!
Fale!
Pare!
Não faça!
Faça!

Deveríamos ser criados à base de orientações:
Sente-se para mantermos a ordem.
Levante-se para demonstrar respeito.
Cale-se no momento da aula.
Fale quando for oportuno.
Pare quando estiver desagradando alguém.
Não faça se for prejudicial.
Faça se não lhe fizer mal, assim como a mais ninguém.

É difícil lidar com as relações
Quando para ser há uma receita,
Que te molda aos tropeções
Em vez de dar-nos diversas orientações
Para que as melhores escolhas nos permita.
Levante-se!
Cale-se!
Fale!
Pare!
Não faça!
Faça!

Deveríamos ser criados à base de orientações:
Sente-se para mantermos a ordem.
Levante-se para demonstrar respeito.
Cale-se no momento da aula.
Fale quando for oportuno.
Pare quando estiver desagradando alguém.
Não faça se for prejudicial.
Faça se não lhe fizer mal, assim como a mais ninguém.

É difícil lidar com as relações
Quando para ser há uma receita,
Que te molda aos tropeções
Em vez de dar-nos diversas orientações

Para que as melhores escolhas nos permita.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Vá de retro

Hoje acendi uma vela preta
para me proteger de você!
Andando em linha reta,
Da felicidade à merce,
Eu estava tão despreocupada,
Que me esqueci de você,
Até que o seu espinho
Tentou se infincar na sola de meu pé,
Deve ser duro estar assim sozinho
Convivendo com consigo... deve doer.
Quando vi a intenção
Da maldade se encravando
Corri a acender uma vela preta
Para ver se em linha reta
Aquilo que tu dás vai retornando
Para o leito que te preparas.


terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Encaixotando Clarice

Eu sou gorda, mas gorda não posso ser,
Por ser mulher, ao me verem gorda
Felicitam-me pelo bebê, perguntam para quando vai ser.


Melhor justificar o formato do meu corpo
Por condições variáveis e mais aceitáveis
Que entender que eu sou gorda, é o melhor escopo.


Você não é gorda, me dizem com o tempo,
Depois que me conhecem,
Mas eu sou, não há dúvidas, eu me contemplo.



Mas é uma gorda bonita!
Tenho o defeito de ser gorda, e me abrem exceções,
Da minha descrição o pejorativo de gorda
submerge em minhas qualidades, citadas pela boca alheia



Posso ser gorda, posso ser gorda e bonita,
Não preciso justificar o tamanho da minha barriga.
Mas é pela minha saúde...
Bem, estou muito bem obrigada.



Eu sou gorda, e gorda eu posso ser,
Me aceitar é um problema seu
Que em mim deseja sistematicamente reter.



Eu sou gorda e gorda eu posso ser,
Seu olhar quer me minimizar
Para me encaixotar, mas sou mais
Nunca vou nesta caixinha caber.
Tenho altas medidas, altos conceitos, altas qualidades.



Boa sorte com sua caixinha,
Não tente me encaixotar.


CONHEÇA UM POUCO SOBRE BOTERO

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A quebra

06/12/2016
Promessas são armadilhas,
Pois são formas de nos comprometer,
E o compromisso firmado tende
A tornar pessoas andarilhas
Em gaivotas nas gaiolas, profundo entristecer.

Quando se promete há cobrança
E há perda de esperança,
Transforma o comprometido
Em réu, subjuga-o, não faz sentido.

Se é preciso prometer
É porque não dá para manter,
Se não dá para manter
Quebra-se a promessa, o caráter, o compromisso.

Foi-se a era de cavaleiros armados
Com espadas juramentadas à honra de terceiros,
Conta-se histórias que trazem comportamentos regulados,
Na expectativa de aquisição da alma alheia com compromissos lancinantes,
Sem troca, onde um espera e o outro se martiriza, ciclo constante.


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Me dê dois terços do meu tempo

28/9/2016

O nosso tempo é importante
O tempo é um conceito
O dinheiro é importante
É apenas um conceito
O valor deste montante
Não é mais que um conceito.
Eu tenho vinte e quatro horas por dia,
Me pagam um valor por cada hora
Em dinheiro.

Se eu trabalhar mais, é mais valia,
Se eu trabalhar mais o tempo vai embora
O dinheiro 
E o tempo
São conceitos estreitos,

Porém, o dinheiro se acumula faceiro
E o tempo
Vaza pelos caminhos eleitos,

Recebo por hora, que é tempo relativo
À vida que transcorre num preceito paliativo,

Se eu trabalho mais do que eu tenho tempo
É impossível, um elemento fora de campo.
SEu tenho menos tempo para mim que para o trabalho
Não há outra maneira de definir o que valho:
O dinheiro é meu sinhô, o tempo foi aferido
E eu acumulo o que não tem valor
Em troca daquilo que tenho de verdade.

O meu remédio foi vendido,
O coração pulsa no ritmo da esteira,
O dinheiro é na verdade conceito de besteira,
Me ensina que não posso plantar, 
Que a minha colheita deve ser feita no momento da aquisição
E não no da roda da vida, só gira o capital.

sábado, 27 de agosto de 2016

Circuito estático

28/8/2016

Eu espero passar
A dor que transborda,
A força da marca recente
que fiz em mim através de você
Trespassando você em mim
Para que saia assim, de mim.

Eu espero passar
A sensação do ignóbil,
Da ignorância, o ignorado.
E tolero calmamente 
No meu desespero
o meu cansaço.

Eu espero passar
A gripe, a renite e a sinusite,
A dor de cabeça e a fome,
A vontade de fumar,
De sair daqui e matar...

Esperando passar
eu trabalho, produzo, enquadro-me e a você,
Murmuro, não me ouço,
Infecciono, constipo, tusso...
Sangro sem feridas, metafórica e realmente.

Espero passar e passo
dia a dia, noite a noite,
Corpo a alma, alma ao corpo.

Espero passar 
E passa... cada coisa, cada marca, cada você.
Passa... mas o que sobra do desastre
Não se concerta, pois logo tenho que esperar
outro caso isolado de algo
que só o tempo cura,
Esperando não posso curar completamente,
Esperando não ajo sinceramente,
Canso, mas não posso cansar, espero,
Passa... mas... não passa.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Poema Ornamental

Espero-te aqui.
As violetas cantam ao redor.
Elas brilham como nunca vi,
Com a voz em timbre de alto ardor...
Vesti minha pele untada
Em óleo de rara fonte,
Espero-te eternizada
Como se hoje fosse antes,
Enquanto tu não vens...
Tu te desenhas nas nuvens
Com promessas de quem vem,
Então te espero canonizada
Pelo amor que me convém.
Sei de teus passos pelas borboletas
Que até então lhe adornaram,
Deliciadas me contam descobertas
Que meus olhos não vislumbraram...
A bela guirlanda de jasmim
Que eu emolduro para te entregar,
Jaz melancólica por um enfim
De ter-lhe a lhe embelezar...
Elas são como sou...
Espero-te sem saber,
Espero-te porque te sou,
Espero-te pelo meu querer
Que a ti sempre se dedicou.



Ilustração de Moisés Della Monica

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Ânima - 2.5.2016



Disseram-me que eu era uma flor,
Como uma rosa com três espinhos.
Porém, era na verdade como o elefante
Amarrado a um galho sem saber da minha capacidade.
Descobri que sou uma árvore, quiçá um baobá.

Docilizaram meu corpo, meu comportamento.
Respondi ao comportamentalismo corretamente,
Mas esqueceram da minha força na minha mente.

Ser diferente foi minha sina, hoje é meu karma e meu darma.
Eu Resisto e reconheço o graveto em que me amarraram,
Ele não pode me segurar. Eu reflito e existo sobre qualquer condição.

Hoje eu passarinho,
Hoje eu ando como quero
E quero andar passo a passo,
Ignorar o seu mapa restrito,
Suas ordens e ordenação.

Hoje eu reflito e posso reconhecer
Sua manipulação, o seu atravancar,
A base da pirâmide a se ajoelhar
Sob uma tirania que claramente como o graveto.

Assustadora é a liberdade,
Prefiro a liberdade à escravidão,
Nego o behaviorismo, nego o racismo, nego o machismo,
Nego minha condicionada condição me desconstruindo
Daquilo que você moldou em mim e eu não caibo.


domingo, 31 de janeiro de 2016

Poema Ornamental




Espero-te aqui.
As violetas cantam ao redor.
Elas brilham como nunca vi,
Com a voz em timbre de alto ardor...
Vesti minha pele untada
Em óleo de rara fonte,
Espero-te eternizada
Como se hoje fosse antes,
Enquanto tu não vens...
Desenhas-te nas nuvens
Com promessas de quem vem,
Então te espero canonizada
Pelo amor que me convém.
Sei de teus passos pelas borboletas
Que até então lhe adornaram,
Deliciadas me contam descobertas
Que meus olhos não vislumbraram...
A bela guirlanda de jasmim
Que eu emolduro para te entregar,
Jaz melancólica por um enfim
De ter-lhe a lhe embelezar...
Elas são como sou...
Espero-te sem saber,
Espero-te porque te sou,
Espero-te pelo meu querer
Que a ti sempre se dedicou.





quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Corujando - 7/10/2015 - por Laura Lucy Dias

  
Eu estava aqui e ela lá  
  
Então dei zoom e pedi para ela me olhar  
Ela fez charme e eu foquei mais
Me ignorou completamente, tive que vir pra trás!


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Segredo de liquidificador

LAURA LUCY DIAS
25/8/2015

O amor é belo
Confidencial...
O amor é fraternal
E também singelo...

Hoje sou Grimm
Na produção tupiniquim
Na qual registro, enfim,
O fofo calor
De um segredo de liquidificador:


quarta-feira, 15 de julho de 2015

Via Dupla - 7/7/15

Neste mundo tento seguir reto.
Vejo tantos aqui por perto
Que preferem andar na diagonal,
Me derrubar, capotar e etc e tal!

Você fez-me seguir assim,
Atrasando meu caminho de mim,
Te segui diagonalmente, frutificando
Solenemente o que eu não estava procurando.

Isso acaba aqui, meu caminho
segue certo, segue reto, são meus a seda e o linho,
Iguarias das psicoses, destilado vinho

Tua jornada contorces, recebes o teu doado tóxico
Se quiser ao meu lado de Zumbi ao México,
Procrastinarei o viés, o torto, o que à frente não toco!

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Contra tempo - 11/6/2015

Não sei se estou no lugar certo
Ou se se ele está em mim.
Busco algo que seja descoberto,
Porém ele já existirá... enfim,

Não há nada como cada uma das minhas
E não há nada como uma das suas,
Não dou preferência se tu paras ou caminhas,
Enlevo, elevo e relevo, minha mente tu enluas!

Partes as partes que partistes em meus olhos,
A vida que me palpita em sobrólhos
Craqueja em joias ETERealisadas no que as acolho

Da dimensão exata onde minhas lágrimas
São uma língua, que atravessa os espaços e os tempos como rimas
E te dizem bandamente do meu amor, que aqui são só lastimas.



 
Pérola, minha joia.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Seja qual for - 12/4/15

O mundo é tão complicado
Que ao se relacionar comigo
Deixava-me pra lá de tresloucado
Achando que obrigação era do amigo,
Meus direitos todos meus, reivindicado!
Mesmo que à força da mora do inimigo.

Tomei chulapadas, dirigi na vula
Como se fosse um nada, atrás da morte pulsante,
Não passei de dez quilômetros, devia ter lido a bula
E talvez a prevenção tivesse me poupado bastante!

Que seja a drágea vermelha,
Já estou mais que calosa e penso no dever,
Alienar ou trabalhar, é uma batalha
Aprender a se negar e ao outro ceder.

Quando descobri que há mais de uma razão 
Entendi a loucura, esqueci o impossível
E fui lá, e fiz, dando ou não vazão
Ao rio da vida, é mais que visível:
Sou o infinito, extremista, sou elocução
Agora pego-me na posição mais terrível:

Aprender uma nova lição , ensinar enquanto aprendo,
Saber que parte de mim é modelo e mudança,
Buscar compreender com o coração ardendo
Que não se pode jogar fora a esperança,
Flagelar meu ego, andar com o pé doendo
Rumo à compreensão, à melhor andança!